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terça-feira, 3 de maio de 2011

Davi. Censo, Bom Senso e os Dias Atuais



Desobediência.

O povo sempre foi desobediente. Com alguns picos de obediência e paz com Deus, promoveu os maiores espetáculos da terra ao seu favor, mas em estado de desobediência foi capaz de protagonizar terríveis massacres, chacinas, devastações.

Em um momento de recalcitrância israelita, Deus entregou mais uma vez o seu povo às aflições de satanás (I Cr 21:1). Não havia guerra; tudo aparentava estar nos conformes, mas o povo havia provocado à ira de Deus mais uma vez (II Sam 24:1).

Davi recebe a sórdida idéia de executar um dos desejos que permeavam o coração dos reis: saber quantos homens aptos para a guerra ele possuía. Joabe ainda tentou contornar a situação, mas não rolou.

A palavra do rei prevaleceu.
Ora, ele era o rei! É isso o que os reis fazem. Decretam e não esperam resistência.

Os dias atuais ainda revelam tais pensamentos monárquicos. O famoso “manda quem pode, obedece quem tem juízo” parece ocupar a prateleira de cima dos conceitos enraizados na cachola daqueles que acham que são reis.

E no que diz respeito, a saber, quantos soldados Israel possuía, levava-se em conta preceitos particulares da lei. Contava-se o número antes de ir para a guerra ou no caso de se repartir a terra. E em relação à guerra, o próprio Jesus usa como exemplo, dizendo que qualquer rei, quando ameaçado de guerra, senta e verifica se possui guerreiros suficientes para encarar (Lc 14:31).

Nenhum dos dois casos estava em jogo. Havia, sim, uma pulsão dentro do rei em saber quantos homens de guerra ele tinha ao seu dispor. Embora o Capítulo 24 de II Samuel comece afirmando que Deus colocou este impulso em Davi, a leitura conjunta com I Crônicas 21 explica que foi o inimigo de nossas almas que fez isso, debaixo de uma permissão divina.

O que não se precisa é de muita hermenêutica para saber que tal desejo já estava no coração de Davi. Porque tal desejo está dentro de cada um de nós, reis ou plebeus.

Somos tentados a criar nossos filhos acreditando que realizaremos nossas expectativas de vida neles. Percebemos isso quando eles decidem seus próprios futuros, frustrando os sonhos que nós tínhamos para eles.

Tendemos a distinguir as boas amizades das que não valem a pena pela forma como somos bajulados pelos que nos cercam.

Constituímos seguidores para Cristo, até um dado momento, onde “tomamos posse” deles. Quanto maior for à boa vontade em servir, mais somos tentados a escravizá-los ao nosso bel prazer.

Agora imagine o que significava isso para as nações vizinhas de Israel. Os rumores vindos de longe... “Ouve-se por aí que Israel está ajuntando seus soldados”. E quanto ao próprio povo, como explicar tamanha investida? Imagine a imprensa divulgando que o exército brasileiro começou a recensear o país, cadastrando o número de jovens entre 18 e 25 anos, aptos para o serviço militar. Quantas perguntas não seriam feitas ao governo? O que os países aliados pensariam? E os que se consideram ameaçados? Descartaríamos alguma atitude retalhadora movida por medo?

O que se falar nos dias de hoje? Quantas vezes o censo absorve o bom senso, ignorando os limites da fé em busca da comprovação de coro? Convocações, solicitações imperativas, ultimatos, ou seja, lá qual for o nome que derem, percebemos sem muita dificuldade que alguns desses eventos só existem para comprovar números.

“Que se dane a avenida e o trânsito. O que importa é que o jornal do dia seguinte enumere a quantidade de pessoas que eu coloquei nas ruas”.

Se construir o templo não foi possível a Davi, o censo foi perfeitamente realizável, durando mais de nove meses.

Realizar construtos humanos e contabilizar o número de seguidores. Talvez estas também sejam duas tentações dos homens de Deus da minha geração.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

F. Sales



3 comentários:

Promessas disse...

ola paz do Senhor meu irmão, infelizmente muitos de nós hoje tem sido levado pela vaidade,e assim como Davi, tem deixado o diabo falar em seus corações chegando até dizer esta frase: "Deus precisa de mim " quando na verdade é nós que precisamos Dele. Jesus disse que sem Ele nada podemos fazer, e este nada é nada mesmo. Uma benção o post irmão, fique na paz seu irmão Wilson Elias Cirino.

Pastor/Seminarista Carlos Leão disse...

A paz de Cristo!

Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
O próprio filho de Davi sentiu isto na pele, é no final de sua vida deixou este legado como conselho, abrir os nossos olhos se estamos objetivados a seguir a Cristo ou os nossos próprios interesses.
Deus te abençoe, obrigado irmão pela postagem.

Pastor/Seminarista Carlos Leão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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